O Brasil está vivenciando um período de ouro nos investimentos em infraestrutura, com projeções que apontam para um novo recorde em 2025. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) estima que os investimentos no setor deverão alcançar R$ 288,2 bilhões no próximo ano, superando os expressivos R$ 260,6 bilhões registrados em 2024. Este cenário de crescimento se destaca, em grande parte, pela robusta participação do setor privado.
Apesar do ambiente de juros altos, a expectativa é que o capital privado seja responsável por R$ 222,3 bilhões dos investimentos. Venilton Tadini, presidente executivo da Abdib, explica que muitos dos projetos em andamento já possuem captação de recursos e funding assegurados desde o início, garantindo a continuidade da execução. Projetos de infraestrutura, com seu longo prazo de maturação (podendo chegar a 20, 25 ou até 30 anos), não se pautam apenas pelas flutuações de juros de curto prazo.
Os ministérios e o BNDES têm desempenhado um papel fundamental ao “fasear” a captação de recursos, permitindo que os desembolsos ocorram de forma mais flexível e atrelada às necessidades do projeto. Essa abordagem é uma evolução em relação ao passado, oferecendo maior segurança aos investidores. Além disso, o cenário é favorecido por mecanismos como o programa de diluição de risco cambial do Tesouro Nacional, que facilita a captação externa, especialmente para projetos ligados à economia verde. Muitos investidores recentes são fundos internacionais que já garantiram suas captações em mercados como Europa, Ásia e Canadá, minimizando o impacto dos juros domésticos, diz Tadini em entrevista a Luiz Guilherme Gerbelli do Estado de São Paulo.
De acordo com o empresário, a Abdib mapeia cerca de 500 projetos de infraestrutura com potencial para migrar para o setor privado, o que ilustra o momento virtuoso do segmento no país. Embora o investimento público não esteja acompanhando o ritmo desejado devido a restrições fiscais, a qualidade na estruturação dos projetos melhorou drasticamente. A curva de aprendizado foi enorme, corrigindo falhas passadas na análise de viabilidade, mitigação de riscos e na forma de tratamento do investimento.
“O país nunca teve um ciclo expansivo com fontes de financiamento tão bem preparadas e ajustadas. Há uma abundância de investidores para todos esses projetos bem estruturados e com forte complemento de funding. Os projetos brasileiros são atrativos, e o Brasil possui um número de investidores em rodovias sem precedentes em comparação com outras nações”, ele conclui.


