O fim do modelo ferroviário monopolista controlado pela empresa Rumo e a criação de um novo modelo de negócios que permita a operação de short lines nos quatro estados faz parte da proposta do Codesul que será levada ao Ministério dos Transportes. Segundo o secretário adjunto de Logística e Transportes (SELT) do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, a estratégia visa romper com a atual estrutura onde a concessionária detém o controle total sobre a via e a operação, impedindo a livre concorrência e a modernização do modal.
O documento técnico que consolida este posicionamento foi entregue na terça-feira, 9, ao secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Cezar Ribeiro. O material detalha o diagnóstico da Malha Sul e contesta a proposta do governo federal de fragmentar a concessão em três corredores distintos, o que, para os estados, compromete a integração logística regional.
O enfrentamento ao monopólio
Para o Codesul, o modelo atual da Rumo é o principal entrave ao desenvolvimento. O bloco defende a separação entre a via permanente (infraestrutura) e a operação (superestrutura).
“O que temos de enfrentar é o monopólio. A ideia é ter uma concessão integrada dos quatro estados que permita a criação de short lines, como ocorre na Europa. O trem deve ter múltiplos operadores; não pode ser apenas a Rumo, que retira trilhos e opera conforme seus interesses”, afirmou Magalhães.
O secretário criticou ainda a falta de transparência do Governo Federal, afirmando que os estados apresentaram um estudo de viabilidade (EVTEA) que foi ignorado pela União.
Diante da indefinição federal, o Codesul estabeleceu três passos estratégicos imediatos: Ratificar o pedido para que o estudo da Infra S.A., que subsidia o plano federal de concessões, seja apresentado aos estados. A promessa é deque os dados sejam liberados em janeiro de 2026. Para um contraponto ao estudo da Infra S.A., o Conselho aprovou a contratação de uma consultoria especializada, via BRDE, para elaborar o projeto da “Ferrovia Integrada dos Quatro Estados” (RS, SC, PR e MS). O objetivo é ter base técnica para contrapor os argumentos da União. Realizar uma reunião direta com o Ministro dos Transportes para alinhar a agenda e evitar que a região Sul fique em uma situação de indefinição logística.
Os quatro estados também decidiram solicitar agenda com o ministro dos Transportes a fim de encaminhar uma decisão sobre o tema.

Propostas Imediatas e estruturantes
O Codesul fixou como ponto inegociável a oposição absoluta à renovação da concessão da Rumo por mais 30 anos. Em vez disso, propõe:
Prioridade total para os trechos danificados pelas chuvas no RS e restabelecimento do transporte de líquidos.
Um modelo onde cada estado faça sua gestão ferroviária vinculada a uma estrutura nacional integradora.
Garantir que novos operadores possam utilizar as linhas, transformando a ferrovia em um modal compartilhado e não em uma “ferrovia de produto único” (como soja ou minério).
“O governo federal trabalha a ferrovia como aporte de um produto específico. Queremos uma malha que possa ser utilizada por vários operadores logísticos, garantindo competitividade ao agro e à indústria do Sul”, concluiu Magalhães.
O documento entregue em Brasília apresenta o seguinte diagnóstico sobre a atual concessão da Rumo Malha Sul (7.223 km):
Rio Grande do Sul: Metade da malha está inativa. Após as enchentes de 2024, a extensão operante despencou de 1.680 km para apenas 921 km.
Santa Catarina: Apenas 17% dos trilhos (210 km de um total de 1.210 km) estão em operação. O estado, gigante na movimentação de contêineres, usa trens para apenas 6% das cargas portuárias.
Paraná: Sofre com o gargalo da Serra da Esperança, que limita o escoamento da produção do Oeste devido a declividades acentuadas e infraestrutura obsoleta.


