Por Patrick de Avila Pozzobon
A aguardada Ponte Internacional Porto Xavier (RS) / San Javier (Misiones, Argentina), após décadas de expectativas e contratempos, está prestes a se tornar realidade. Com a sua construção orçada em R$ 214,6 milhões e financiada pelo Novo PAC, a cidade pode viver um boom no transporte de carga e no turismo da região já no primeiro ano de funcionamento.
As projeções para o transporte de carga são extremamente otimistas, com um incremento esperado de 100% a 200% no primeiro ano de operação da ponte. Em 2024, o comércio internacional nessa fronteira já registrou 17 mil cargas, um número que deverá ser exponencialmente superado.
O secretário de Desenvolvimento, Turismo e Mercosul, Ovidio Kaiser, enfatiza que a natureza da ponte, por ser pública, atrairá um grande número de empresas, inclusive de transporte internacional, para se instalarem na região.
Além disso, a ponte abrirá uma nova e estratégica rota para o escoamento de parte da produção de soja da região. A conexão com a hidrovia do Rio Paraná, localizada a apenas 80 km da cabeceira da ponte, permitirá que a soja gaúcha chegue aos países asiáticos, especialmente à China, com uma significativa redução de distâncias e custos. Essa nova rota também desafogará portos congestionados como o de Rio Grande, que atualmente causam consideráveis perdas de tempo e dinheiro para os exportadores.
Turismo
No setor turístico, a ponte é vista como um catalisador para um incremento “muito forte” na circulação de pessoas. Localizada no coração dos 30 Povos Missioneiros e na Rota Missões/Iguaçu, a infraestrutura facilitará a aproximação entre os povos amigos do Brasil, Argentina e Paraguai, unidos por laços históricos e familiares. Embora o impacto total no turismo seja difícil de mensurar, a expectativa é que a ponte impulsione setores como hotelaria, gastronomia e comércio local.
A construção da ponte tem sido uma meta desde os anos 1980, marcada por uma série de tentativas frustradas e entraves. Duas licitações anteriores falharam, a primeira por propostas acima do orçamento do DNIT e a segunda pela desistência da empresa contratada, alegando inviabilidade técnica e financeira.
Agora, a empresa vencedora da licitação é a Rivoli Construtora Ltda, sediada no Mato Grosso, que lidera o Consórcio Ponte Rio Uruguai-RS. Com uma proposta 5% inferior ao valor de referência, a Rivoli Construtora estima concluir a obra em 24 meses, um prazo significativamente menor do que os 48 meses previstos inicialmente. Saveiro Santoro, sócio-diretor da Rivoli Construtora SPA, destaca que o maior desafio reside nas fundações, devido à densidade das rochas na área. A construtora tem um histórico sólido em obras estruturantes no Brasil, incluindo pontes de grande porte em Porto Nacional (TO), Cuiabá (MT), Nova Nazaré (MT) e Barra do Ouro (TO), o que reforça a confiança na execução do projeto.
A ponte terá uma extensão total de 1,4 km, sendo 900 metros no lado brasileiro (conectados à BR-392) e 500 metros no território argentino. O projeto inclui também a construção de rodovias de acesso e complexos aduaneiros de fronteira, essenciais para os procedimentos migratórios e de inspeção de importações e exportações.
Atualmente, a travessia entre Porto Xavier e San Javier é realizada por balsas, o que impõe limitações operacionais, especialmente em períodos de cheias. A nova ponte não apenas resolverá esses desafios, mas também se tornará um marco de integração entre Brasil e Argentina, impulsionando o desenvolvimento logístico e econômico da fronteira sul do Brasil.


