Com edital de licitação do Bloco 2 de rodovias em vias de publicação, cresce o olho de grandes players como Ecovias, CSG e Sacyr

Vale do Taquari

Por Milton Wells

O leilão do Bloco 2 de rodovias do Rio Grande do Sul, com edital de licitação em vias de publicação, emerge não apenas como um projeto de infraestrutura grandioso, mas como uma oportunidade de negócio singularmente atraente e segura. A atratividade é reforçada por dois pilares: um modelo financeiro inovador e a pujança econômica e turística da região do Vale do Taquari, seu coração logístico.

O que torna o Bloco 2 irresistível para gigantes do setor, como Ecovias, CSG e Sacyr, é sua estrutura de Parceria Público-Privada (PPP) com a participação financeira direta do governo do estado do RS.

O projeto conta com a injeção de R$ 1,5 bilhão (via FUNRIGS), um capital que serve como uma poderosa garantia para o investidor.

Este aporte minimiza o risco inicial de implantação para as concessionárias e otimiza o Retorno sobre o Capital (ROC). Além disso, garante a aceleração de obras cruciais, como duplicações e intervenções de resiliência climática, especialmente nas regiões mais afetadas pelas enchentes, como o Vale do Taquari.

Com um investimento total estimado em R$ 5,8 bilhões ao longo dos 30 anos, a injeção de capital público torna o projeto financeiramente mais robusto e seguro, com o critério de leilão sendo o de menor tarifa, equilibrando o interesse público e a viabilidade empresarial.

A segurança financeira da PPP encontra seu contraponto na potência econômica e na centralidade logística do Vale do Taquari, a espinha dorsal das rodovias do Bloco 2. O Vale não é apenas um ponto de passagem, é um motor econômico que demanda e garante o sucesso de uma infraestrutura eficiente.

Conforme aponta Nilto Scapin (Sicepot, Acil Lajeado e Sindibritas), o Vale é um nó de convergência vital. Por suas rodovias flui a maior parte da economia do RS, ligando o Sul do Paraná, o Oeste Catarinense, Planalto e Missões a Porto Alegre e ao Porto de Rio Grande. É também a rota obrigatória para o fluxo da Serra Gaúcha em direção a Santa Cruz, Santa Maria, Uruguai e Argentina.

A região é um polo agroindustrial de peso, respondendo por um terço da produção de frango, 15% da suína e a segunda maior bacia leiteira do estado. Essa intensa produção de alimentos – da matéria-prima ao produto industrializado – gera um volume de tráfego constante e pesado, que se traduz em receita robusta para o operador da rodovia.

Além da carga pesada, o Vale, com suas belezas naturais e o crescente turismo regional, gera um fluxo contínuo de veículos leves. A melhoria da infraestrutura, portanto, serve a um duplo propósito: otimiza o transporte de cargas  e facilita o acesso.

A atração é intensificada pelo perfil dos players especulados, todos com experiência comprovada e familiaridade com o mercado gaúcho, minimizando a curva de aprendizado:

A Ecovias busca uma nova plataforma de longo prazo no RS, após o encerramento da concessão de Pelotas, em março de 2026, vendo o Bloco 2 como uma transição natural para manter e realocar sua estrutura operacional no estado.

Já a CSG,sua operação bem-sucedida do Bloco 3 e a implantação pioneira do free flow  dão-lhe uma vantagem em conhecimento regulatório e operacional nos modelos de concessão mais recentes do RS

Com a experiência adquirida na RSC-287, a espanhola Sacyr  visa expandir seu portfólio, aproveitando a curva de aprendizado já consolidada.

O leilão do Bloco 2, ao casar a segurança de um aporte público com o dinamismo econômico e logístico do Vale do Taquari, oferece um ativo de infraestrutura de baixo risco e alto potencial de retorno, tornando-se um dos mais cobiçados do país.

O Bloco 2 abrange 414,9 km de seis rodovias estaduais (ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453), ligando importantes polos econômicos do Vale do Taquari e Região Norte. O pacote de obras é ambicioso, com foco em resolver gargalos históricos e garantir a segurança e fluidez, especialmente após os desastres climáticos:

Tipo de Obra Extensão / Quantidade Foco Principal
Duplicações 174,5 km Aumento da capacidade de tráfego e segurança.
Terceiras Faixas 72,5 km Melhoria da fluidez em trechos de serra e aclive.
Robustez Construção e elevação de pontes Obras projetadas para serem mais resistentes a eventos climáticos extremos.
Melhorias 32 passarelas, acostamentos, marginais, socorro médico e mecânico 24h. Segurança viária e atendimento ao usuário.

 

 

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