MTCN: Como a dragagem vira recurso e soluções ambientais

A tendência é priorizar o conceito de uso benéfico do material dragado

O uso benéfico de sedimentos de dragagem é uma forte tendência mundial. Atualmente,  esses sedimentos são reconhecidos como um recurso crítico para restaurar ecossistemas em larga escala, estimados em bilhões de dólares. Eles também ajudam a mitigar perdas de terras e habitats e abrem caminho para novas alternativas.

Nesse cenário, a MTCN, consultoria liderada pelo oceanólogo Mauricio Torronteguy, foca seus contratos. Para o empresário, a dragagem não deve ser apenas uma escavação com descarte de sedimentos. Antes de descartar o material, devemos considerar o que é possível fazer com ele. Torronteguy afirma: “Podemos e devemos priorizar o conceito de uso benéfico do material dragado, conforme expresso na resolução do Conama 454 de novembro de 2012. Você não vê esse sedimento como resíduo a ser descartado, mas como um recurso a ser aproveitado. É um recurso natural cujo manejo adequado gera benefícios ambientais, econômicos e sociais.”

Cases de sucesso

A MTCN tem aplicado com sucesso a prática de transformar sedimentos em recurso em diversos projetos. Esses projetos expandiram áreas portuárias e criaram novas áreas de lazer para a população.

Torronteguy cita exemplos bem-sucedidos  Rio Grande (RS), Barra Velha (SC), Aracaju (SE) e São Luís (MA). Alguns estão em fase de licenciamento, outros de captação de recursos. Além disso, a empresa tem proposto usar o material dragado para restaurar trechos litorâneos afetados pela erosão costeira e até para uso direto na construção civil.

A trajetória da MTCN

A trajetória de Mauricio Torronteguy, que inclui passagens por grandes empreiteiras de dragagem e empresas pioneiras em estudos de impacto ambiental, culminou na fundação da MTCN em 2020. Ele fundou a empresa ao perceber as dificuldades de interligar aspectos ambientais com empreendimentos de infraestrutura. “Vi projetos perecerem devido à falta de atenção regulatória”,  relembra.

Segundo o especialista, a MTCN adota a abordagem “construindo com a natureza”. Primeiro, ela busca entender o funcionamento do ambiente para, então, desenvolver projetos com o menor impacto possível. Isso implica em um diálogo profundo com o meio ambiente e com as comunidades locais.

Assessoria e expansão

A MTCN atua na concepção de projetos e na implantação de obras, prestando assessoria técnica aos clientes nas tratativas com os envolvidos. A empresa foca na transferência de informações e nos benefícios socioambientais. Em alguns casos, a MTCN também assume a condução dos estudos ambientais e do processo de licenciamento, elaborando Diagnósticos Socioambientais Participativos (DSAP) para identificar opiniões e expectativas das comunidades e propor soluções.

A consultoria também vislumbra expandir sua expertise. “Temos buscado atuar em projetos de resiliência costeira contra o avanço do nível do mar”, revela Torronteguy. Ele destaca a capacidade da empresa em modelagens numéricas computacionais para simular cenários futuros. Além disso, a MTCN tem atuado em projetos de energias verdes, como em terminais portuários dedicados à exportação de amônia verde, especialmente no Nordeste do país.

Com um crescimento de 14% em 2024 em relação ao ano anterior, o empresário projeta para este ano um aumento de 60% nas receitas da empresa

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