Consultoria internacional produzirá novo modelo de infraestrutura ferroviária para permitir a criação de short lines nos estados do Codesul

Caberá a uma consultoria internacional apresentar um contraponto aos estudos que estão sendo efetuados pela empresa Infra S.A. sobre da Malha Sul, cuja concessão expira em março de 2027.  Iniciados oficialmente em 2021, ainda sob a EPL (Empresa de Planejamento e Logística), os trabalhos passaram a avançar em 2023 a partir da criação da Infra S.A., resultado da fusão entre a EPL e a Valec. Todavia, até o momento nenhuma conclusão foi divulgada pelo governo federal.

De acordo com o secretário adjunto de Logística e Transportes do RS, Clóvis Magalhães, a consultoria internacional deverá concluir o trabalho entre cinco e seis meses, com o intuito de avaliar a transição do atual modelo monopolista para o de acesso aberto de modo a permitir a instalação de short lines sob a concessão dos próprios estados.

Conforme Magalhães, a consultoria deve produzir uma análise técnica que dialogue e, se necessário, conteste os dados da Infra S.A. O objetivo é assegurar que as particularidades produtivas e econômicas dos quatro estados membros  do Codesul — como o escoamento de safras e a conexão com portos regionais — sejam priorizadas.
O estudo também avaliará a viabilidade de recuperar ramais que hoje estão inoperantes especialmente após as enchentes no RS em 2024, definindo os trechos que devem ser modernizados, ampliados ou preservados para evitar o sucateamento definitivo da rede.

Criada em julho de 2025 pelo Codesul, em Florianópolis, a Comissão Interestadual para Assuntos da Malha Sul teve sequência em agosto, em Curitiba, com a definição de ações e estratégias no sentido de assumir posição contrária à renovação da concessão da Malha Sul pertencente à empresa Rumo Logística.

Em setembro, por meio de reuniões e Brasília, os estados do Codesul enviaram ofício ao Ministério dos Transportes para que nenhuma decisão sobre a Malha Sul fosse adotada sem a participação dos quatro estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Além disso, foi apresentada formalmente a proposta de adoção de um sistema ferroviário integrado aos estados.

Em dezembro, em audiência na Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário ( SNTF) houve a discussão sobre os termos do respectivo pleito dos estados.

No Brasil, as ferrovias denominadas short lines representam apenas 0,01 % da malha federal de 30.684 km de extensão sob a regulação da Antt (Agência Nacional de Transportes Terrestres), segundo informa Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER)

Segundo  Abate, a demanda estimada para esse modelo no país chega a 11 mil quilômetros, impulsionada pela desburocratização do setor e pelo potencial de retorno financeiro.

Com a regulamentação do Decreto nº 11.245/2022, empresas privadas podem construir e operar ferrovias próprias via regime de autorização, dispensando o rito tradicional de licitação pública. O modelo facilita a conexão direta entre unidades produtivas e portos ou malhas principais.

De acordo com Abate, o investimento médio para a implantação desses trechos gira em torno de R$ 25 milhões por quilômetro, valor que pode sofrer reduções dependendo das especificidades do projeto. Um dos principais atrativos do regime de autorização é a longevidade dos contratos, que podem chegar a 99 anos. Em uma análise conservadora, o presidente da ABIFER aponta que o payback  ocorre em aproximadamente 10 anos.

“Claro que isso depende de variados fatores, como custos de construção, financiamento, tempo de obra, licenciamento ambiental e aquisição de material rodante, mas a estimativa fica em torno desse patamar”, afirma Abate.

EUA é recordista em short lines

 

Os EUA, que detêm o maior número de short lines no mundo,  abrigam mais de 600 ferrovias regionais e de curta distância, que operam aproximadamente 76.400 quilômetros de linhas. Essas ferrovias representam  29% da infraestrutura ferroviária de carga total daquele  país, muitas vezes servindo como conectores de “primeira e última milha” entre as indústrias locais e a principal rede ferroviária nacional. As ferrovias de curta distância nos EUA movimentam um em cada cinco vagões que circulam na rede nacional anualmente

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