O plano de recuperação da navegabilidade no Rio Grande do Sul avança com ritmo acelerado. Até o momento, 65% dos cerca de 20 milhões de metros cúbicos de sedimentos previstos no plano macro de dragagem já foram removidos de 22 canais estratégicos. O objetivo central é o restabelecimento do calado padrão, garantindo a eficiência logística e a segurança da navegação no estado.
Atualmente, o calado operacional no Porto do Rio Grande varia entre 9,45 e 14,20 metros, dependendo do berço de atracação. Já na hidrovia interior, que conecta a Lagoa dos Patos ao Rio Jacuí, o calado operacional estabelecido é de 5,18 metros.
Diversas frentes
As operações, coordenadas pela Portos RS, seguem em diversas frentes simultâneas. No momento, quatro equipamentos estão em plena atividade nos seguintes pontos: no Canal Externo do Porto do Rio Grande; no Canal do Junco (no Guaíba), que iniciou operações este mês; no Canal do Setia (na Lagoa dos Patos).
Segundo a autoridade portuária, contratos importantes já foram concluídos, como os dos canais de Itapuã, São Gonçalo, Leitão, Pedras Brancas e Furadinho, totalizando mais de 2 milhões de metros cúbicos removidos. No Porto do Rio Grande, a obra atingiu 63% de avanço, com finalização prevista para dezembro deste ano.
Enquanto parte das obras caminha para o encerramento, o projeto entra em uma fase decisiva com o chamado “Lote 7”. Este trecho, que abrange as áreas estratégicas dos rios Gravataí e Sinos, ainda está em fase de elaboração de projetos técnicos. A expectativa da Portos RS é concluir as licitações e iniciar a dragagem efetiva na região ainda em 2026.
No que tange aos investimentos, o montante total estimado é de R$ 691 milhões, via Fundo do Plano Rio Grande (FUNRIGS). Até o momento, R$ 390 milhões já foram liquidados e pagos. Além disso, a autarquia reforça que mantém um orçamento anual recorrente entre R$ 110 milhões e R$ 120 milhões para manutenção preventiva, visando evitar o reassoreamento dos canais.
Portaria Fepam
Um dos pontos de atenção para o futuro é a aplicação das novas portarias da Fepam (nº 597 e 601/2026), que autorizam o aproveitamento comercial da areia retirada dos canais. Embora a medida seja vista como uma oportunidade de tornar as dragagens mais eficientes e potencialmente reduzir custos públicos, a Portos RS ressalta que, até o momento, não há parcerias firmadas com a iniciativa privada.
“O objetivo imediato é a navegabilidade. A mineração pode se consolidar como uma alternativa futura em trechos onde estudos técnicos comprovem viabilidade comercial”, esclarece o diretor de infraestrutura da estatal, Lucas Cardoso.
Quanto ao material não comercializável — como lodo e resíduos sólidos —, a Portos RS garante que o descarte segue rigorosos critérios ambientais. O material é depositado em áreas paralelas ao canal, respeitando uma distância mínima de 400 metros do talude, enquanto resíduos como galhadas e sucatas são recolhidos e destinados adequadamente. Todo o processo passa por monitoramento contínuo de qualidade da água e biota, conforme as condicionantes das licenças expedidas pela FEPAM.
Execução das dragagens (2024–2026):
- Lote 1 – Canal de Itapuã: concluído;
- Lote 2 – Canais Leitão, Pedras Brancas, Furadinho e São Gonçalo: concluído;
- Lote 3 – Canal da Feitoria: concluído;
- Lote 4 – Canal do Rio Grande: em execução;
- Lotes 5 e 6 – 11 canais da navegação interior: em execução;
- Lote 7 – em fase de projeto.


