Estado inicia levantamentos batimétricos no Guaíba para avaliar a necessidade de desassoreamento

Batimetria

Por Patrick de Avila Pozzobon

As fortes chuvas de junho interromperam temporariamente as dragagens nos rios e canais do Rio Grande do Sul, um dos principais eixos logísticos do estado. Essa paralisação ocorre enquanto o governo estadual inicia os levantamentos batimétricos no Guaíba, etapa essencial para avaliar a necessidade de desassoreamento e planejar futuras intervenções. A conclusão dos estudos é prevista para agosto, seguida da análise dos dados para definir os próximos passos.

Desde março, cinco dragas já removeram mais de 1,6 milhão de metros cúbicos de sedimentos nos canais de Itapuã, Leitão e Pedras Brancas, a fim de  garantir a profundidade mínima de seis metros. Este trabalho, com investimento de R$ 68 milhões, faz parte dos R$ 731 milhões do Plano Rio Grande para infraestrutura hidroviária. Em breve, uma sexta draga iniciará operações no cais de Porto Alegre, e em julho, um sétimo equipamento, um dos maiores do país, ampliará a capacidade. A dragagem de mais oito canais do Guaíba e quatro da Lagoa dos Patos já está em licitação.

 

 

Sandro Boka, diretor institucional da Portos RS

Segundo Sandro Boka, diretor de relações Institucionais da Portos RS, as chuvas recentes interromperam todas as operações, exigindo nova batimetria devido ao assoreamento causado pelo carreamento de sedimentos.

O Eixo 1 do Programa Desassorear RS, da Sedur, atua em arroios, canais pluviais e córregos urbanos. Em menos de cinco meses, mais de 1 milhão de metros cúbicos de sedimentos foram removidos em 65 municípios, com 34 dos 89 projetos em andamento já concluídos. Dos R$ 301 milhões previstos, R$ 54 milhões foram executados.

Em junho, iniciaram-se os levantamentos batimétricos em rios de grande porte, parte do Programa Desassorear RS, que integra o Plano Rio Grande de reconstrução estadual.

A secretária Marjorie Kauffmann, do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS, informa que a batimetria do Guaíba termina em agosto, mas a necessidade de desassoreamento só será definida após profunda análise técnica dos dados coletados.

A etapa atual foca em quatro regiões prioritárias: Bacia Taquari/Antas, Baixo Jacuí, Guaíba e o bloco Metropolitano (rios Caí, Sinos e Gravataí). As medições detalhadas do relevo submerso visam mapear pontos críticos de assoreamento e deformações no leito dos rios, agravados pelas enchentes. Com conclusão em 180 dias, os estudos servirão de base para futuras dragagens, sistemas de alerta e ações preventivas.

O avanço das dragagens no Guaíba reaviva o debate sobre a ausência histórica de políticas permanentes para as hidrovias gaúchas. Wilen Manteli, presidente da Associação Hidrovias do RS, destaca que quase três décadas sem dragagens regulares agravaram a vulnerabilidade, e a enchente de 2024 apenas expôs um problema crônico.

 

 

Manteli aponta um cenário de abandono histórico, com cerca de 30 anos sem dragagem sistemática no Guaíba, o que foi agravado pela enchente recente. Ele defende a necessidade de políticas públicas contínuas de dragagem, sinalização e balizamento, destacando que as hidrovias representam inaceitáveis 3% do transporte estadual.

Manteli também alerta que as chuvas recentes paralisaram temporariamente as dragagens em vários pontos, impactando o cronograma de remoção de sedimentos.

Ele ressalta que a dragagem depende de condições climáticas favoráveis, e as chuvas suspenderam operações em trechos, evidenciando a necessidade de estrutura e planejamento de longo prazo.

Manteli finaliza, afirmando que, apesar do avanço nos levantamentos batimétricos, os dados demoram a gerar impacto prático nas dragagens, sobretudo no trecho crucial para o escoamento da produção gaúcha até o Porto de Rio Grande.

 

 

 

 

 

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