Governo do RS lança consulta pública sobre concessão de rodovias do Bloco 2, no Vale do Taquari e Norte do estado

Pedro Capeluppi

 

O governo do RS lançou, consulta pública para o projeto de concessão de rodovias do Bloco 2, com estradas localizadas no Vale do Taquari e Região Norte. O período de escuta da população fica aberto por ao menos 30 dias e as sugestões à futura concessão podem ser enviadas pelo consultarodovias@serg.rs.gov.br.

Todos os questionamentos serão respondidos pela equipe técnica da Secretaria da Reconstrução Gaúcha (Serg), pasta responsável pelas parcerias público-privadas. Também está prevista a realização de audiências públicas nos dias 23 e 24 de janeiro, nas cidades de Passo Fundo, Lajeado e Venâncio Aires.

O período de consulta pública faz parte do processo da concessão e tem o objetivo de aprimorar o projeto antes da publicação do edital e de sua implementação. Toda a documentação do projeto pode ser acessada no site Parcerias RS.

O lançamento do edital está previsto para o primeiro semestre de 2025 e cerca de 90 dias depois será realizado leilão, na B3, em São Paulo, para definir o vencedor da licitação. O critério para definir o vencedor será o de menor aporte público conjugado com o maior desconto na tarifa.

 

“É uma concessão fundamental para retomar e ampliar o desenvolvimento dessas regiões tão afetadas pelas enchentes. Por isso, o governo também está entrando com esse aporte de R$ 1,3 bilhão. Essa etapa de consulta pública é muito importante. É quando escutamos a população, que é quem vai se beneficiar dos novos serviços e das novas rodovias”, afirmou o secretário da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi.

A concessão

Os investimentos previstos para qualificar as sete estradas que compõem o bloco (ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324, RSC-453 e BR-470) serão de R$ 6,7 bilhões, em 30 anos de concessão com a iniciativa privada. A estruturação conta com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O Bloco 2 abrange 32 municípios gaúchos (17,5% da população) e tem um total de 414,91 quilômetros de extensão. A concessão prevê a duplicação de 244 quilômetros e a implementação de 101 quilômetros de terceiras faixas para ampliar a fluidez e a segurança das estradas da região, uma das mais afetadas pelas enchentes de maio de 2024. Atualmente, as rodovias administradas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) são todas em pistas simples, com alguns trechos com terceiras faixas.

A estruturação dos projetos viários leva em conta obras com foco na resiliência, com 16 pontes em cota elevada e acréscimo de camada drenante nas duplicações, localizadas em áreas afetadas pela enchente. Outras melhorias previstas na concessão são a implementação de 323 quilômetros de acostamentos, 73 quilômetros de marginais e 43 passarelas de pedestre, entre outras medidas. Também estão previstos socorro mecânico e médico 24 horas, monitoramento por câmeras e bases de atendimento aos usuários.

O bloco contará com o sistema free flow, com a cobrança de pedágio em fluxo livre, sem praças físicas. A tecnologia funciona por meio de pórticos instalados nas estradas, que fazem a leitura da placa ou de um chip nos veículos.

Serão 24 pórticos instalados nas rodovias do Bloco 2. O objetivo é promover uma maior praticidade, economia de tempo de viagem, redução de congestionamentos e uma tarifa mais justa e igualitária para os usuários, além de garantir uma maior sustentabilidade, sem impacto ambiental e reduzindo a emissão de gases poluentes. Nesse modelo, a cobrança é proporcional ao trecho percorrido. O usuário paga conforme circula nas estradas.

Investimentos

Dos R$ 6,7 bilhões previstos, R$ 1,3 bilhão será aportado pelo Executivo Estadual para reduzir a tarifa de pedágio e agilizar as obras necessárias. A liberação do recurso ocorrerá via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Os demais valores serão investidos pela concessionária que vencer a licitação para administrar as rodovias do bloco.

Somente nos dez primeiros anos da concessão do Bloco 2 serão investidos R$ 4,5 bilhões. O governo do Estado, também em conjunto com o BNDES, vai implementar esse mesmo modelo de parceria para as estradas do Bloco 1, que estão localizadas na Região Metropolitana e no Litoral. Os estudos que vão definir o volume de investimentos públicos estão em fase final.

Conselho de Usuários

A concessão do Bloco 2 prevê a criação do Conselho de Usuários, formado por representantes da sociedade nas regiões das rodovias. As atribuições do conselho são de monitorar, fiscalizar, dar sugestões e participar de reuniões frequentes, assim como dialogar com a futura concessionária.

Investimentos adicionais que sejam necessários podem ser propostos pelo Conselho, com a participação dos usuários.

Municípios beneficiados com a concessão

Erechim, Erebango, Getúlio Vargas, Estação, Sertão, Coxilha, Passo Fundo, Marau, Vila Maria, Casca, Paraí, Nova Araça, Nova Bassano, Nova Prata, Serafina Correa, Guaporé, Dois Lajeados, Vespasiano Correa, Muçum, Encantado, Arroio do Meio, Lajeado, Cruzeiro do Sul, Mato Leitão, Venâncio Aires, Garibaldi, Carlos Barbosa, Boa Vista do Sul, Westfalia, Teutônia, Estrela e Fazenda Vilanova.

Cronograma das duplicações

Os 244 quilômetros de duplicações previstas nas rodovias do Bloco 2 começam a partir do terceiro ano da concessão, com ampliação de 6,4 quilômetros de extensão na ERS-135, 6,6

quilômetros na ERS-324 e 3,3 quilômetros na RSC-453, resultando em 16,2 quilômetros no período.

No quarto ano serão 9,4 quilômetros de duplicações na ERS-130, 9,9 quilômetros na ERS-135 e 9,3 quilômetros na ERS-324. Ao todo, serão 28,5 quilômetros no ano.

O quinto ano da concessão será o de maiores obras de duplicações. Serão 46,7 quilômetros de obras previstas, com 12,3 quilômetros na ERS-135, 10,4 quilômetros na ERS-324 e 24 quilômetros na RSC-453.

O sexto ano terá 6,1 quilômetros na BR-470, 2,4 quilômetros na ERS-129, 5,4 quilômetros na ERS-324 e 12,8 quilômetros na RSC-453, concluindo o período em 26,7 quilômetros.

No sétimo ano estão previstos 6,9 quilômetros na ERS-135, 5 quilômetros na ERS-324 e 15,4 quilômetros na RSC-453, totalizando 27,3 quilômetros.

O oitavo ano terá 32,6 quilômetros de duplicações, sendo 3,7 quilômetros na ERS-128, 8,4 quilômetros na ERS-129, 18,7 quilômetros na ERS-130 e 1,8 quilômetros na ERS-324. O nono ano terá 17,7 quilômetros na ERS-324.

A partir daí, os investimentos serão retomados em duplicações nos anos 13 ao 18, com duplicações em trechos específicos, resultando em 48,8 quilômetros no período.

Localização dos pórticos free flow

No sistema free flow, diferente das praças de pedágio, são ampliados os números de pórticos ao longo das rodovias para reduzir o valor de cobrança em cada ponto de passagem, promovendo assim uma maior justiça tarifária. O usuário paga conforme o trecho que circulou nas rodovias.

A definição do valor da tarifa também responde a essa lógica. No Bloco 2, o custo do quilômetro, com o aporte de R$ 1,3 bilhão do governo do Estado, equivale a R$ 0,23. Sem esse aporte do Executivo Estadual, o valor do quilômetro seria R$ 0,32, elevando a tarifa final aos usuários.

Nº do Pórtico / Estrada / Km / Local / Valor

  • P01 – ERS-128 / Km 18 / Fazenda Vilanova / R$ 3,81
  • P02 – ERS-129 / Km 81 / Muçum / R$ 4,04
  • P03 – ERS-129 / Km 92 / Vespasiano Correa / R$ 2,35
  • P04 – ERS-129 / Km 101 / Dois Lajeados / R$ 2,08
  • P05 – ERS-129 / Km 117 / Guaporé / R$ 4,00
  • P06 – ERS-129 / Km 139 / Serafina Correa / R$ 4,63
  • P07 – ERS-129 / Km 160 / Casca / R$ 3,85
  • P08 – ERS-130 / Km 75 / Arroio do Meio / R$ 2,17
  • P09 – ERS130 / km 93 / Encantado / R$5,66
  • P10 – ERS135 / km 18,44 / Coxilha / R$ 4,84
  • P11 – ERS-135 / Km 30 / Sertão / R$ 4,04
  • P12 – ERS-135 / Km 46 / Estação / R$ 4,26
  • P13 – ERS-135 / Km 65 / Erechim / R$ 4,64
  • P14 – ERS-324 / Km 195 / Passo Fundo / R$ 3,67
  • P15 – ERS-324 / Km 219 / Marau / R$ 4,54
  • P16 – ERS-324 / Km 233 / Vila Maria / R$ 4,85
  • P17 – ERS-324 / Km 260 / Casca / R$ 4,24
  • P18 – ERS-324 / Km 279 / Nova Bassano / R$ 4,06
  • P19 – ERS-324 / Km 288 / Nova Prata / R$ 4,21
  • P20 – RSC-453 / Km 10 / Venâncio Aires / R$ 3,77
  • P21 RSC453 / km 26 / Cruzeiro do Sul / R$ 3,15
  • P22 – RSC-453 / Km 50 / Estrela / R$ 3,73
  • P23 – RSC453 / km 70,5 / Boa Vista do Sul / R$ 4,51
  • P24 – RSC-453 / Km 86 / Carlos Barbosa / R$ 5,29

Texto: Lucas Barroso e Iuri Müller/Ascom Serg

 

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Descarbonização e inovação na infraestrutura

Joelson Sampaio Num cenário global cada vez mais pressionado pelos efeitos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono tornou-se prioridade na agenda dos projetos de infraestrutura. A descarbonização, entendida como o processo de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa, também tem ocupado a agenda do campo da infraestrutura. Integrar a descarbonização aos projetos de infraestrutura não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar

Leia Mais »

Brasil pode ganhar um ciclo contínuo de expansão da malha ferroviária

Por José Serra O Brasil vive uma oportunidade rara de reorganizar sua infraestrutura logística, com base numa visão de Estado e em instrumentos inovadores de financiamento. A recente Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, primeira da história, representa diretrizes que vão além do setor de transportes: trata-se de uma peçachave para uma reconfiguração estratégica do modelo de desenvolvimento econômico nacional. Ao reduzir custos logísticos, integrar regiões produtivas e ampliar a competitividade do país nas cadeias globais do comércio, as ferrovias operam

Leia Mais »

Prorrogação da concessão da Rumo : Codesul busca tempo para proposta regional da Malha Sul

A posição defendida pelos quatro estados que compõem o Codesul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) sobre a renovação da concessão ferroviária da Rumo é de oposição à renovação imediata e de busca por uma prorrogação temporária e condicionada. Foi o que informou à Modal o secretário-adjunto  da Secretaria de Logística e Transportes (RS) Clóvis Magalhães. Segundo Magalhães, o Codesul, por meio dos seus governadores, não externou veto total à permanência da operação, mas

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Descarbonização e inovação na infraestrutura

Joelson Sampaio Num cenário global cada vez mais pressionado pelos efeitos das mudanças climáticas, a transição para uma economia de baixo carbono tornou-se prioridade na agenda dos projetos de infraestrutura. A descarbonização, entendida como o processo de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases de efeito estufa, também tem ocupado a agenda do campo da infraestrutura. Integrar a descarbonização aos projetos de infraestrutura não é apenas uma necessidade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar

Leia Mais »

Brasil pode ganhar um ciclo contínuo de expansão da malha ferroviária

Por José Serra O Brasil vive uma oportunidade rara de reorganizar sua infraestrutura logística, com base numa visão de Estado e em instrumentos inovadores de financiamento. A recente Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, primeira da história, representa diretrizes que vão além do setor de transportes: trata-se de uma peçachave para uma reconfiguração estratégica do modelo de desenvolvimento econômico nacional. Ao reduzir custos logísticos, integrar regiões produtivas e ampliar a competitividade do país nas cadeias globais do comércio, as ferrovias operam

Leia Mais »

Prorrogação da concessão da Rumo : Codesul busca tempo para proposta regional da Malha Sul

A posição defendida pelos quatro estados que compõem o Codesul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul) sobre a renovação da concessão ferroviária da Rumo é de oposição à renovação imediata e de busca por uma prorrogação temporária e condicionada. Foi o que informou à Modal o secretário-adjunto  da Secretaria de Logística e Transportes (RS) Clóvis Magalhães. Segundo Magalhães, o Codesul, por meio dos seus governadores, não externou veto total à permanência da operação, mas

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.