O Brasil registrou um aumento nos investimentos em infraestrutura em 2024, alcançando R$ 266,8 bilhões, o equivalente a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção da agência Inter B para 2025 é de que o valor chegue a R$ 277,9 bilhões (2,19% do PIB projetado). No entanto, o crescimento, embora positivo, é considerado insuficiente para modernizar o setor e atender plenamente às necessidades do País, segundo a 24ª edição da Carta de Infraestrutura da Inter B.
O grande destaque nos investimentos de 2024 ficou com a iniciativa privada, que aportou R$ 188,1 bilhões (70,5% do total). Os investimentos públicos também mostraram recuperação, somando R$ 78,6 bilhões, impulsionados, principalmente, pelos governos subnacionais. Para 2025, a previsão é de que os recursos se concentrem em energia elétrica, saneamento básico, e transportes (rodovias, ferrovias e mobilidade urbana).
Um ponto de inflexão é o saneamento básico, onde o impulso de investimento é notável, reflexo direto do Novo Marco Institucional. Pela primeira vez, o setor privado é dominante na área, com a privatização de grandes companhias e a corrida pela universalização do acesso a água e esgoto até 2033.
Apesar do aumento recente nos aportes (cerca de 0,2-0,3% do PIB em anos recentes), a Inter B alerta que o Brasil está se afastando da “fronteira” de modernização. Ao recalcular a trajetória do estoque de capital em infraestrutura, a agência concluiu que o País necessitará de um esforço de investimento superior ao estimado anteriormente.
Em um horizonte de duas décadas, serão necessários 4,65% do PIB ao ano em investimentos, um aumento significativo em comparação aos 4,16% do PIB projetados na década passada.
Esses recursos adicionais são cruciais não só para o crescimento da população e da atividade econômica, mas também para:
- Resiliência Climática: Fazer face às novas demandas de adaptação da infraestrutura relacionadas às mudanças climáticas e a eventos extremos.
- Aceleração Tecnológica: Lidar com a depreciação mais rápida dos ativos devido à aceleração das mudanças tecnológicas.
- Urbanização: Atender às necessidades inadiáveis geradas pelo processo de urbanização e metropolização, como a gestão de resíduos sólidos e a crise de mobilidade urbana.
A Inter B enfatiza que a modernização da infraestrutura em bases sustentáveis deve ser uma política de Estado. A eficácia e a correta alocação dos recursos dependem de pilares essenciais:
- Segurança Jurídica e Previsibilidade Regulatória: Fundamentos para a expansão dos investimentos.
- Planejamento Rigoroso: Um processo técnico para decisões de alocação de recursos, que a Carta sugere estar em retrocesso em setores como o elétrico.
- Boa Governança: Fortalecer a institucionalidade para garantir que os investimentos sejam tecnicamente embasados e resistentes à apropriação por grupos voltados ao rent-seeking (busca por renda sem produção).
A agência conclui que não haverá avanço na infraestrutura do País sem a adesão firme a esses princípios. O desafio é complexo: combinar um volume maior de investimentos setoriais com uma alocação de recursos mais eficiente e íntegra.


