Nascida em 2020 sob o braço logístico da Votorantim Cimentos (VC), a Motz atravessa um momento de maturidade estratégica. A transportadora digital, que surgiu para otimizar as operações do grupo controlador, hoje caminha com as próprias pernas. Segundo Rodrigo Oliveira, head de operações e comercial da Motz, a companhia já é financeiramente sustentável, reinvestindo o próprio capital e diluindo a participação da VC em seu faturamento à medida que conquista novos mercados. No ano passado, a empresa alcançou uma receita líquida superior a R$ 2 bilhões, com um crescimento de 33% em relação ao ano anterior. Para 2026, com foco em tecnologia, inteligência de dados e centralidade no cliente, a companhia projeta avançar mais 16% em faturamento até o fim do ano.
A estratégia de diversificação tem nome e sobrenome: agronegócio. O setor foi responsável por cerca de 90% dos novos negócios fechados em 2025, apresentando um avanço expressivo de 147%. Para a Motz, “novo negócio” não é apenas um termo contábil, mas a entrada efetiva em novas indústrias, minérios e culturas como açúcar e biocombustíveis.
“A ideia é que o agro siga dominando a área de novos negócios, sendo o motor do nosso crescimento em 2026”, afirma Oliveira. “A diversificação virá na capilaridade de empresas atendidas e nas categorias de produtos transportados.”
Apenas em 2025, a empresa registrou um salto de 131% na base de novos clientes, superando a marca de 500 parceiros atendidos desde sua fundação. Embora não divulgue o lucro líquido, a gestão garante que a operação gera caixa positivo e dispensa aportes dos acionistas.
Segurança
Em um país onde o roubo de cargas é um gargalo histórico, a Motz apresentou números que chamam a atenção do setor. No primeiro trimestre de 2026, o Índice de Perdas (relação entre valor roubado e valor transportado) foi de apenas 0,003%.
No 1º Trimestre 2025 foram registradas 13 cargas roubadas, o que se reduziu para apenas duas cargas neste trimestre.
O executivo destaca que o resultado foi obtido mesmo com uma exposição maior, dado o aumento da quilometragem rodada no período. “Através de maiores controles e de uma solução própria de gerenciamento de riscos integrada à nossa torre de serviços, reduzimos praticamente a zero o roubo de cargas. O desafio agora é aplicar a mesma eficiência na redução do índice de acidentes, por meio de planos de orientação preventiva”, explica Oliveira
O cenáriopara 2026, todavia, não é isento de riscos. Oliveira aponta que a volatilidade cambial e as possiveis mudanças na tabela de frete mínimo exigem atenção. A blindagem da Motz contra esses fatores econômico reside na IA e na análise de dados
A transportadora aposta em plataformas digitais e rastreabilidade para antecipar cenários e otimizar custos. Para o head da companhia, a logística brasileira ainda está em uma “jornada de evolução”, e a tecnologia é o diferencial que permite apoiar todo o ecossistema, desde o motorista autônomo até os grandes embarcadores.


