Diferente das grandes ferrovias de longa distância, as ferrovias de curta distância (short lines) operam como ramais regionais que conectam zonas de produção diretamente a troncos principais ou terminais portuários. Elas são mais flexíveis, possuem custos operacionais reduzidos e são ideais para o transporte de cargas de alto volume, como grãos, fertilizantes, combustíveis e madeira.
O estado possui uma malha ferroviária histórica que, embora subutilizada em muitos trechos, atravessa as principais regiões produtoras. A revitalização desses trilhos sob o modelo de autorizações ferroviárias pode transformar a economia local.
A implantação estratégica de ferrovias de curta distância integraria o coração do RS (Região Central e Produção) aos quatro principais polos logísticos hidroviários e marítimos:
Porto de Rio Grande: a saída para o mundo
É o destino final da maior parte da produção. Short Lines conectando o Norte e o Noroeste do estado ao porto de Rio Grande permitiriam que grandes safras de soja e milho chegassem ao terminal marítimo com custos significativamente inferiores aos do modal rodoviário, reduzindo o fluxo de caminhões na BR-116 e BR-392.
Porto de Pelotas: o polo de carga geral e celulose
Com foco crescente em toras de madeira e clínquer, o Porto de Pelotas se beneficia de ferrovias de curto percurso que tragam a produção florestal da metade sul e da fronteira oeste. A integração ferro-hidrovia aqui é fundamental para a eficiência do setor de celulose.
Porto de Estrela: o hub do Vale do Taquari
Localizado em um ponto estratégico, o Porto de Estrela tem um potencial imenso para receber Short Lines vindas do Planalto Médio. A reativação desse braço ferroviário transformaria Estrela em um porto seco de transbordo, utilizando o Rio Taquari para levar a produção até o complexo de Rio Grande.
Porto de Porto Alegre: logística urbana e industrial
A capital serve como um centro de distribuição e escoamento de produtos industrializados e fertilizantes. Short Lines conectando a Região Metropolitana e os polos industriais (como Caxias do Sul e Passo Fundo) ao porto da capital otimizariam o abastecimento interno e a exportação de bens de maior valor agregado.
Benefícios
Além de até 30% mais econômico que o rodoviário em volumes de escala, o transporte ferroviário tem menor emissão de CO2 por tonelada transportada e redução do desgaste das rodovias estaduais. Além de mais seguro, com menor incidência de acidentes e roubos de carga em comparação às estradas, o modelo estimula a instalação de novas indústrias e armazéns próximos aos terminais de carga.


