O cenário atual das indústrias de artefatos de borracha e de reforma de pneus na América Latina aponta para um ciclo de forte expansão, modernização tecnológica e consolidação de negócios de longo prazo. Impulsionadas pela demanda de setores vitais como agronegócio, mineração, transporte, automotivo, energia e infraestrutura cujas cadeias produtivas consolidam-se como motores estratégicos para o desenvolvimento econômico da região.
Essas foram as principais conclusões da Expobor e da Pneushow 2026. Realizados entre 23 e 25 de junho no Expo Center Norte, em São Paulo, os eventos atrairam mais de 9,5 mil profissionais qualificados de 34 nacionalidades.
Com uma área expositiva de quase 20 mil metros quadrados e mais de 200 marcas, as feiras funcionaram como uma vitrine de lançamentos tecnológicos e um termômetro da força econômica de duas cadeias produtivas essenciais para o PIB brasileiro.
Macroeconomia setorial
Somente o setor de artefatos de borracha conta com mais de 4,2 mil empresas ativas e foi responsável por gerar 49 mil empregos diretos, alcançando um valor de produção expressivo de R$ 16 bilhões, em 2025.
Movimentando cerca de R$ 3 bilhões em valor de produção, o segmento de reforma de pneus consolidou um crescimento robusto de 36,8% na última década, empregando diretamente quase 18 mil pessoas, segundo dados divulgados oficialmente em junho de 2026 pela Associação Brasileira da Indústria de Artefatos de Borracha (ABIARB) e pelo Sindicato das Indústrias de Artefatos de Borracha e da Reforma de Pneus no Estado de São Paulo (SINDIBOR).
Esse aquecimento macroeconômico traduz-se em investimentos práticos na ponta da produção. Grandes players do mercado sinalizam expansões físicas substanciais de suas operações e reportam crescimentos de faturamento entre 14% e 15% no volume de transações comerciais recentes, impulsionados pela busca por maior capacidade produtiva.
O perfil do consumo industrial
A conjuntura atual do mercado B2B revela uma mudança profunda no perfil dos compradores. O ecossistema industrial é dominado por tomadores de decisão de alta qualificação e forte poder de compra. O foco comercial deslocou-se de meros relacionamentos institucionais para negociações objetivas de alta tecnologia.
Há uma busca acelerada por parte das indústrias para ampliar capacidade e investir em automação, modernização, aquisição de maquinários pesados (como autoclaves) e expansão de frotas e truck centers. Além do fortalecimento do mercado interno, as parcerias de longo prazo ganham tração global, estreitando laços logísticos e comerciais com grandes potências industriais do exterior, em especial a China e a Índia.
Sustentabilidade
O futuro da cadeia produtiva da borracha está intrinsicamente atrelado ao binômio eficiência técnica e práticas sustentáveis (ESG). A indústria vive uma transição onde a economia circular deixou de ser um conceito teórico para se tornar um imperativo de sobrevivência de mercado.
Os vetores da modernização operacional:
A inovação disruptiva ganhou corpo no espaço de startups chancelado pela FIESP (via Programa Acelera Startups). Empresas nascentes como Otoh, EcoAméricas, Ciclopack, QNQ, Urupê, Big Belt e Matrixbiox – Algaie Bio apresentaram soluções focadas em inteligência artificial, rastreabilidade e novos materiais sustentáveis.
Já os processos industriais complexos passam por revisão técnica rigorosa, com foco na gestão de áreas classificadas e mitigação de riscos na adesão de materiais como metal-borracha.
A cadeia, de sua parte, não se limita mais a fabricantes isolados; há uma integração profunda entre fornecedores de matéria-prima, reformadores, pesquisadores e usuários finais da área de logística.
Um cenário de otimismo
O panorama para o mercado da borracha e reforma de pneus desenha um cenário de otimismo sustentado. Respaldado pelas principais entidades representativas do setor, o mercado demonstra maturidade ao responder aos desafios econômicos globais com inovação tecnológica, foco em sustentabilidade e fortalecimento das relações comerciais de longo prazo.
A Expobor é realizada pela ABIARB e pelo SINDIBOR. Já a Pneushow conta com a realização da ABR (Associação Brasileira da Reforma de Pneus) e da ARESP (Associação das Empresas Reformadoras de Pneus do Estado de São Paulo).


