Parecer do TCE precede o lançamento do edital do Bloco 2 de rodovias

ERS 130 é um dos gargalos logísticos do Vale do Taquari /DAER/ Divulgação

 

O governo do estado do Rio Grande do Sul está aguardando apenas o parecer final do Tribunal de Contas do Estado (TCE) para lançar o edital de licitação referente ao Bloco 2 de rodovias estaduais. Há uma expectativa de que o lançamento ocorra ainda no mês de agosto.

Após a publicação do edital, serão necessários pelo menos três meses para a realização do leilão, que está previsto para a Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

A concessão do Bloco 2 das rodovias estaduais, abrangendo o Vale do Taquari e a região Norte do Rio Grande do Sul, vai representar um avanço significativo para a infraestrutura e a logística da região. Com investimentos previstos de R$ 5,8 bilhões ao longo de 30 anos, dos quais  R$ 4,3 bilhões somente na primeira década, o projeto deve  transformar a malha viária, especialmente em uma área altamente impactada pelos eventos climáticos do ano passado.

Atualmente, a ausência de duplicação nas rodovias que compõem o Bloco 2 (ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453) é um gargalo para o transporte de mercadorias e pessoas. A concessão promete mudar esse cenário drasticamente.

A duplicação de 174,5 quilômetros e a construção de 72,5 quilômetros de terceiras faixas são as melhorias mais importantes. Isso resultará em um fluxo de tráfego muito mais eficiente, reduzindo congestionamentos e o tempo de viagem. Para o Vale do Taquari, que possui uma economia diversificada com forte presença industrial e agrícola, essa fluidez é crucial para o escoamento da produção.

A ampliação da fluidez, juntamente com mais de 323 quilômetros de acostamentos, 61,5 quilômetros de marginais e 32 passarelas, deve contribuir de forma  significativa para a segurança viária.

Também estão previstos socorro mecânico e médico 24 horas, monitoramento por câmeras e bases de atendimento aos usuários.

A inclusão de 15 pontes em cota elevada e o acréscimo de camada drenante nas duplicações em áreas afetadas pelas enchentes são medidas de resiliência da infraestrutura. O Vale do Taquari foi duramente atingido por eventos climáticos recentes, e essas obras são fundamentais para  a continuidade do fluxo logístico mesmo em condições adversas.

Os benefícios da concessão, segundo dados do governo do estado,  se traduzirão diretamente em uma redução expressiva dos custos logísticos na região do Vale do Taquari e entorno. Com estradas mais seguras e fluidas, o tempo de viagem para o transporte de cargas será consideravelmente menor. Isso se traduz em redução de custos operacionais para as empresas de transporte, como combustível e mão de obra, além de permitir maior rotação dos veículos.

Região lida com a precariedade da infraestrutura

Cíntia Agostini, presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), ressalta que os eventos do ano passado evidenciaram a precariedade da infraestrutura existente, com rodovias e outros modais prejudicados.

Agostini ressalta que o custo logístico do Vale do Taquari que era o mais alto que a média brasileira, com as cheias esse valor foi impulsionado em cerca de 30%. “A melhoria da infraestrutura, incluindo a ampliação de aeródromos e a reativação de ferrovias, como o trecho da Rumo para o “Trem dos Vales”, é crucial não apenas para a mobilidade das pessoas, mas para a competitividade da região”, afirma.

A região é um polo agroindustrial significativo, responsável por um terço da produção de frango, 15% da suína e a segunda maior bacia leiteira do Rio Grande do Sul. Essa intensa produção de alimentos, desde a matéria-prima até a industrialização, demanda uma logística eficiente para o transporte de insumos e produtos acabados.

Apesar da evidente necessidade de investimentos em infraestrutura, a discussão sobre pedágios no Vale do Taquari é permeada por um trauma histórico. Cíntia Agostini lembra que as concessões anteriores geraram um sentimento de frustração na população. Ela cita o caso de Encantado, onde se paga pedágio há 27 anos, sob gestão da Sulvias e posteriormente da EGR, sem que um único quilômetro de rodovia tenha sido duplicado. Apenas serviços de “tapa-buracos” foram realizados, enquanto as normas do DAER-RS indicam que rodovias com Volume Diário Médio (VDM) superior a 9.000 veículos deveriam ser duplicadas há muito tempo. Esse cenário resultou em um tempo de deslocamento que hoje é o dobro do que deveria ser.

Agostini defende que uma concessão deve ir além da cobrança de tarifas, representando um conjunto de obras e melhorias significativas. O ganho de tempo e a melhoria do fluxo de tráfego em rodovias duplicadas, como observado na BR-386 sob gestão da CCR, podem gerar um ganho de 25% a 30% nos custos de transporte e operação. No entanto, o desafio reside em apresentar um projeto de concessão que realmente traga avanços e não seja apenas mais uma cobrança sem contrapartida.

 

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