Por Patrick de Avila Pozzobon
Após os severos danos da histórica enchente de 2024, que destruiu parte de sua estrutura e interrompeu temporariamente suas operações, o Porto de Estrela se ergue para uma nova fase. Sob a liderança do novo diretor-presidente da Empresa Pública de Logística Estrela (E-Log), José Alves, o complexo portuário no Vale do Taquari busca uma reinvenção que alia sustentabilidade, incentivo à iniciativa privada e um olhar para a comunidade.
O maior prejuízo foi a perda do pavilhão principal de 1.500 m², completamente destruído pela força das águas. Atualmente, apenas um pavilhão operacional, alugado pela Nutritec, gera a principal receita da autarquia, cerca de R$ 50 mil mensais.
Para revitalizar o espaço, a E-Log planeja uma reforma no pavilhão remanescente. A inovação está na forma de financiamento: empresas que aderirem ao projeto poderão executar a reforma em troca de isenção de aluguel por alguns anos. Esse modelo de parceria público-privada será replicado para a construção de futuras estruturas.
Nova gestão
A nova gestão da E-Log aposta em um conceito mais amplo para os 52 hectares do porto. A visão é transformá-lo em um parque público para a comunidade de Estrela, com áreas para lazer, eventos, shows e atividades de educação ambiental. “Queremos um lugar vivo, que una as famílias e estimule o pertencimento da população com o espaço do porto. Ficamos muito tempo olhando apenas para o rio, precisamos olhar para a população”, afirma Alves. A prefeitura de Estrela apoiará financeiramente o projeto urbanístico, que será elaborado nos próximos meses.
A função logística do porto será mantida e expandida. Duas empresas de transporte de brita e outros insumos já demonstraram interesse em operar no local. Contudo, a reativação plena da hidrovia depende de um estudo de batimetria a cargo do Dnit no rio Taquari. A previsão de entrega é para o final do ano, e se as condições forem favoráveis, o transporte hidroviário poderá ser reativado, reduzindo custos logísticos e impulsionando o setor.
Outra prioridade da nova gestão é a integração do aeródromo de Estrela à estratégia logística. Com a pista já ampliada de 570 para mil metros, o próximo passo é a pavimentação, orçada em R$ 15 milhões. Esse investimento poderá ser custeado com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), dada a condição da área ter sido afetada pelas cheias. A conclusão da obra permitirá a publicação de editais para cessão de uso dos hangares, fortalecendo o transporte aéreo executivo e de pequenas cargas.
A combinação estratégica entre os modais hidroviário, rodoviário e aeroviário posiciona Estrela como um polo logístico regional. Com foco na integração, diálogo com o setor produtivo e sustentabilidade, a E-Log busca iniciar um novo ciclo de desenvolvimento para a cidade e o Vale do Taquari.

Cedência
Em 24 de junho do ano passado, ocorreu a formalização da cedência pelo governo do estado da área do porto à prefeitura de Estrela. A unidade estava inoperante desde o ano de 2014 e, em 2020, um contrato de cessão de uso foi firmado entre a antiga Superintendência dos Portos do Rio Grande do Sul e a prefeitura de Estrela para melhor utilização da área. Em 2021 foi criada a Empresa Pública de Logística Estrela (ELOG) para a administração do Porto.


