Por Patrick de Avila Pozzobon
O porto de Porto Alegre projeta a retomada plena de suas operações ainda em 2025. De acordo com Sandro Boka, diretor de relações Institucionais da Portos RS, depois de finalizar a dragagem do canal de Itapuã, onde navios chegaram a encalhar devido às inundações do ano passado, com investimento de R$ 8 milhões, foram iniciadas as dragagens nos canais de Leitão e Pedras Brancas.
Com 80 metros de largura, esses canais precisam atingir a profundidade mínima de 6 metros e a previsão é de que 40 metros sejam liberados até a primeira quinzena de junho de 2025, permitindo a passagem de navios. A dragagem completa deve ser concluída até o final do ano, acrescentou o executivo
Como reflexo dos trabalhos, em 14 de maio, o navio MV Arietta operou no Porto de Porto Alegre, transportando 8,5 mil toneladas de ureia, a segunda movimentação registrada após o início das dragagens, sinalizando o retorno gradual das operações.
As próximas etapas incluem os canais Furadinho e São Gonçalo, já licenciados, que terão suas dragagens iniciadas entre junho e julho de 2025, com conclusão prevista para o final do ano. Embora não impactem diretamente o porto da capital, Furadinho é importante para o Polo Petroquímico de Triunfo e São Gonçalo para a região da Lagoa dos Patos, assinalou Boka.
A desobstrução dos canais, incluindo Itapuã, demandará um investimento total de aproximadamente R$ 60 milhões, provenientes dos R$ 731 milhões do Fundo Plano Rio Grande anunciado pelo governo do estado em 2024.
Sandro Boka ressaltou que há muito trabalho pela frente e que a empresa estuda um levantamentos hidrográficos em outros oito canais que deságuam no Guaíba, com a intenção de lançar novas licitações até o início de junho de 2025.
Essa iniciativa, conforme Boka, se constitui em um plano mais amplo de reestruturação da bacia hidrográfica do Guaíba, para não ficar apenas na retomada, mas na otimização da navegação em toda a região. “Com a conclusão das dragagens e a implementação das novas licitações, o porto de Porto Alegre e o sistema hidroviário gaúcho caminham para uma nova era de maior fluidez e capacidade de movimentação de cargas”, ressalta.
Políticas públicas
Wilen Manteli, presidente da Associação Hidrovias do Rio Grande do Sul, critica a ausência de dragagens permanentes na bacia do Guaíba há cerca de 30 anos, ressaltando que a recente enchente apenas agravou um problema preexistente. Ele defende políticas públicas contínuas de dragagem, sinalização e balizamento, essenciais para a manutenção das hidrovias, que atualmente representam apenas 3% do transporte gaúcho.
Manteli enfatiza a necessidade de investir mais em hidrovias e ferrovias como alternativas mais econômicas e menos impactantes ambientalmente, dada a predominância do modal rodoviária no estado.


