Radar Sobratema 2026: setor de máquinas reajusta expectativas com crescimento de 4%

O mercado brasileiro de máquinas e equipamentos para construção, mineração e infraestrutura caminha para fechar o ano de 2026 com um crescimento estimado de 4%, totalizando 58,5 mil unidades comercializadas. A projeção reajustada foi apresentada pela Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema) durante a 2ª edição do Radar Tendências 2026, realizada ontem.

Embora o primeiro semestre tenha registrado volumes expressivos — impulsionados sobretudo por entregas pontuais de compras governamentais e pela demanda contínua da construção pesada —, a segunda metade do ano exige cautela renovada dos agentes econômicos.

 O balanço do 1º semestre

Um dos pontos de maior debate durante o encontro foi o reposicionamento do setor público no ranking de compras. No primeiro trimestre de 2026, o segmento governamental representava apenas 13% das vendas diretas; no fechamento do primeiro semestre, escalou para 23%, assumindo a liderança pontual do mercado.

Analisando os dados, executivos e analistas foram categóricos: o movimento reflete uma concentração de entregas de licitações acumuladas e não uma mudança estrutural de longo prazo. Para o encerramento do ciclo, a construção pesada e a locação de equipamentos  devem retomar a hegemonia histórica.

Vendas no 1º semestre: Governo (23%), Construção Pesada (21%), Locação de Máquinas (19%), Construção Leve / Agro / Mineração (37%).

Projeção para o fim de 2026: liderança da Construção Pesada e do Setor de Locação.

“A construção pesada e a mineração exigem um ritmo ininterrupto de renovação de ativos. Na mineração, operando em turnos de 24 horas e consumindo até 6.000 horas por ano por equipamento, manter uma frota jovem — com média inferior a 3 anos — é o único caminho para evitar a indisponibilidade, que é o maior risco do negócio.”, afirmou  Jordão Coelho Duarte, diretor de  operações da Escava Minas.

 O vilão macroeconômico

O grande freio do mercado em 2026 atende pelo nome de custo de capital. Segundo análise de Rafael Müer, economista sênior do Banco Bradesco, os choques no preço internacional do petróleo no início do ano e a manutenção da taxa Selic em patamares restritivos (encerrando o ano projetada em 13,75%) impuseram severos limites à rentabilidade das operadoras e empreiteiras.

“O juro elevado encarece o investimento e restringe a concessão de crédito. Conseguimos fazer volume para diluir custos fixos, mas a rentabilidade líquida que permitiria reinvestimento robusto acaba corroída pelo custo financeiro”, relatou  Mário Frazão, executivo do setor de máquinas.

Diante da dificuldade de obtenção de crédito tradicional (com queda nas operações via FINAME/BNDES), 39% dos compradores recorreram ao uso de capital próprio para financiar aquisições no semestre. Entre os que utilizaram financiamento bancário, 52% optaram pelos bancos das próprias montadoras (captive banks), que demonstraram maior flexibilidade e apetite de risco.

 A ascensão do rental

Com as taxas de juros desestimulando a imobilização de ativos nos balanços das construtoras, a locação de equipamentos firmou-se como solução tática de gestão de caixa. Dados da pesquisa revelam que mais de 58% das empresas de construção civil já mantêm até 10% de suas frotas totais sob contratos de aluguel.

O estudo também revelou um descompasso curioso na percepção entre revendedores (dealers) e compradores finais quanto à adoção de tecnologias embarcadas: O comprador final exige demonstração clara do Retorno sobre o Investimento (ROI), com ganhos concretos de produtividade e segurança no campo.

Enquanto o dealer / concessionário prioriza a redução direta no custo de aquisição e implantação inicial da tecnologia.

“A máquina em si deixou de ser uma compra isolada. O mercado exige inteligência operacional, telemetria, análise preditiva e gestão de custos. O cliente quer tecnologia, mas exige que ela venha acompanhada de suporte consultivo do parceiro de frota”, observou  Myron Car, diretor da Armac Locação.

Visão de futuro

Representantes da indústria de maquinário pesado, como Volvo CE e Komatsu, reforçaram o otimismo com a transição rumo à eletrificação e automação de longo prazo, ressaltando que o Brasil desponta como mercado prioritário para descarbonização. Em seu pronunciamento de abertura, Afonso Mamede, presidente da Sobratema, relembrou os 20 anos de evolução da entidade:

“Passamos do hidrômetro analógico e planilhas de papel para frotas teleoperadas em tempo real e escavação autônoma com GPS 3D. A transição energética e os modelos inteligentes vieram para ficar. O desafio dos próximos anos não será apenas vender a máquina, mas garantir a formação de mão de obra capacitada e a infraestrutura de suporte no campo.”

 

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Como R$ 102 bilhões em concessões empurram as rodovias brasileiras para a era digital

O anúncio feito pelo Ministério dos Transportes de uma carteira de concessões rodoviárias de R$ 102,68 bilhões, prevista para 2027, marca o início de uma nova fase para a infraestrutura brasileira, impulsionada pelo avanço da engenharia digital. Apresentado na B3, em São Paulo, o pacote reúne nove leilões de concessão e dois de otimização de contratos existentes, contemplando 569 quilômetros de duplicações e 550 quilômetros de faixas adicionais, com leilões agendados entre junho e dezembro de 2027. A urgência da

Leia Mais »

Mundial Logistics completa 28 anos e mira crescimento de 20% com integração total entre armazém e PDV

Em um cenário em que o varejo exige precisão cirúrgica e agilidade milimétrica, a linha que separa o estoque da prateleira deixou de ser apenas física para se tornar puramente estratégica. É sob essa premissa que a Mundial Logistics celebra seus 28 anos em 2026, projetando um salto de 20% em seu faturamento para este ano, após alcançar a marca de R$ 250 milhões. Fundada em 1998 em um espaço modesto de 500 metros quadrados na capital paulista, a companhia

Leia Mais »

BR-386 ganha novo marco com conclusão de duplicação e dispositivos de segurança entre Soledade e Fontoura Xavier

A infraestrutura logística do Rio Grande do Sul alcançou um novo patamar de eficiência operacional com a conclusão das obras de duplicação de um trecho crucial da BR-386. A concessionária ViaSul, do grupo Motiva, segundo nota à imprensa, liberou totalmente ao tráfego o segmento de 25,6 quilômetros situado entre os municípios de Soledade e Fontoura Xavier. Em termos operacionais, o projeto resolve gargalos históricos de capacidade e segurança ao segregar o tráfego de longa distância — dominado pelo transporte pesado

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Como R$ 102 bilhões em concessões empurram as rodovias brasileiras para a era digital

O anúncio feito pelo Ministério dos Transportes de uma carteira de concessões rodoviárias de R$ 102,68 bilhões, prevista para 2027, marca o início de uma nova fase para a infraestrutura brasileira, impulsionada pelo avanço da engenharia digital. Apresentado na B3, em São Paulo, o pacote reúne nove leilões de concessão e dois de otimização de contratos existentes, contemplando 569 quilômetros de duplicações e 550 quilômetros de faixas adicionais, com leilões agendados entre junho e dezembro de 2027. A urgência da

Leia Mais »

Mundial Logistics completa 28 anos e mira crescimento de 20% com integração total entre armazém e PDV

Em um cenário em que o varejo exige precisão cirúrgica e agilidade milimétrica, a linha que separa o estoque da prateleira deixou de ser apenas física para se tornar puramente estratégica. É sob essa premissa que a Mundial Logistics celebra seus 28 anos em 2026, projetando um salto de 20% em seu faturamento para este ano, após alcançar a marca de R$ 250 milhões. Fundada em 1998 em um espaço modesto de 500 metros quadrados na capital paulista, a companhia

Leia Mais »

BR-386 ganha novo marco com conclusão de duplicação e dispositivos de segurança entre Soledade e Fontoura Xavier

A infraestrutura logística do Rio Grande do Sul alcançou um novo patamar de eficiência operacional com a conclusão das obras de duplicação de um trecho crucial da BR-386. A concessionária ViaSul, do grupo Motiva, segundo nota à imprensa, liberou totalmente ao tráfego o segmento de 25,6 quilômetros situado entre os municípios de Soledade e Fontoura Xavier. Em termos operacionais, o projeto resolve gargalos históricos de capacidade e segurança ao segregar o tráfego de longa distância — dominado pelo transporte pesado

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.