A região do Vale do Taquari, severamente impactada pelas enchentes de 2024, enfrenta um cenário de grande preocupação, com a logística da região sofrendo pesados prejuízos. De acordo com Moisés de Freitas, presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (AMVAT), a reconstrução e reparação de rodovias e pontes são prioridades absolutas. Há diversos projetos protocolados junto aos governos estadual e federal buscando recursos para a reconstrução de estruturas vitais, como a proposta de novas pontes entre Estrela e Cruzeiro do Sul, Estrela e Lajeado, e Lajeado e Arroio do Meio. “São obras importantes e que têm apoio da nossa associação”, afirma Freitas.
No entanto, a estimativa de prazos para a execução dessas obras, caso aprovadas, ainda é incerta. Uma nova ponte entre Estrela e Cruzeiro do Sul, por exemplo, é vista como um divisor de águas para a região e o estado. Além de reduzir o intenso tráfego nos centros urbanos de Lajeado e Estrela, essa nova conexão facilitaria o deslocamento entre cidades como Bento Gonçalves, Garibaldi, Venâncio Aires e Santa Cruz. Além disso, a ponte promoveria uma ligação direta entre as rodovias ERS-130 e ERS-129, impulsionando novos empreendimentos, especialmente em Cruzeiro do Sul, uma das cidades mais atingidas pelas cheias.
No que se refere à resiliência da infraestrutura rodoviária, a AMVAT, segundo Freitas , tem atuado de forma colaborativa com os municípios, apoiando as reivindicações regionais junto aos governos. Um exemplo é o programa de concessão das rodovias do Bloco 2, proposto pelo governo do estado, que inclui a melhoria das condições das rodovias estaduais, como a ERS-129, ERS-130 e RSC-453. “Trata-se de uma importante iniciativa, mas é preciso que o Executivo também atenda às necessidades individuais dos municípios para manter a mobilidade nas áreas afetadas”, diz Freitas.

Moisés Freitas, presidente da AMVAT
A logística é considerada fundamental para o desenvolvimento econômico do Vale do Taquari, ressalta Freitas para quem a hidrovia do Taquari, com o Porto de Estrela, surge como um dos grandes pilares dessa recuperação. “A AMVAT ressalta a importância do porto, mas necessitamos investimentos federais para que o complexo tenha um calado atrativo para as empresas de navegação, pois atualmente não consegue receber embarcações de maior porte”, acrescenta.
Segundo ele, existe um projeto pronto, elaborado pelo governo federal, para a hidrovia do Mercosul, que ligará o Porto de Estrela ao Uruguai, via Lagoa Mirim. Esse sistema de transporte hidroviário interliga Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o que representa uma importante rota para escoamento de cargas como grãos, minérios e fertilizantes, e contribuindo para a integração econômica e o desenvolvimento regional, continua Freitas.
Em relação às ações para otimizar o uso da hidrovia e do Porto de Estrela, o presidente da AMVAT que o Executivo está executando o desassoreamento de arroios em vários municípios da região. Em uma próxima etapa, o foco será nos rios. “Conforme o secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano, Marcelo Caumo, em reunião recente com a AMVAT, foi informado que o estado está realizando a batimetria, com prazo de conclusão de seis meses, após o qual serão feitos os cálculos e projeções para verificar a viabilidade da dragagem nos rios’.
Coordenação e ações integradas
Além dessas ações, a associação, segundo seu presidente, tem atuado em parceria com os municípios e entidades na busca das melhores e mais necessárias soluções para a região.
“As ações de auxílio aos setores agrícola e industrial, bem como as expectativas em relação à atração de novos investimentos para a infraestrutura logística, têm sido coordenadas pela Câmara da Indústria, Comércio e Serviços do Vale do Taquari. A AMVAT, por sua vez, atua como parceira em todas as iniciativas que visam à melhoria da infraestrutura do Vale”.


