Por Patrick de Avila Pozzobon
A logística na Região Sul do Brasil atravessa um momento de expansão histórica, marcada por recordes operacionais, novos investimentos e uma integração crescente entre os modais portuário, rodoviário, ferroviário e aéreo. Em março de 2025, os portos públicos da região registraram um crescimento de 7% na movimentação de cargas, o maior avanço para o mês em uma década — superando com folga a média nacional de 1,96%, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Os números positivos refletem uma combinação de fatores: safras agrícolas recordes, ampliação da capacidade instalada, modernização da infraestrutura logística e aportes estruturantes tanto da iniciativa privada quanto do governo federal.
“O que estamos vendo é o resultado da maior carteira de investimentos da história do setor portuário brasileiro”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. “São obras e concessões que tornam os portos mais eficientes, atraem novos negócios e tornam o Brasil mais competitivo no comércio global.”
Entre os destaques estaduais, o Paraná teve crescimento de 10,22%, impulsionado por um salto de 20% nos granéis sólidos e 6,47% nas cargas conteinerizadas. Santa Catarina avançou 3,84%, com uma expressiva alta de 224% na movimentação de contêineres, liderada pelo Porto de São Francisco do Sul. Já o Rio Grande do Sul registrou 3,24% de crescimento geral, com alta de quase 17% nas cargas conteinerizadas, consolidando o Porto de Rio Grande como peça estratégica para o escoamento da produção local.
Santa Catarina, em particular, segue se destacando nacionalmente. O estado é o segundo maior do Brasil em movimentação de TEU’s, segundo a Antaq (2024), com os portos de Portonave e Itapoá figurando entre os três e quatro maiores do país nesse tipo de carga. No primeiro trimestre de 2025, Santa Catarina foi responsável por um terço das cargas portuárias do país, crescendo 5,56%, mesmo com a retração nacional de 1,92% na movimentação total. A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) destaca que o crescimento dos modais portuário e aeroportuário é fundamental para a competitividade da indústria local, especialmente nas exportações de produtos industrializados, e defende a intermodalidade como alavanca estratégica para o setor.
Leilões e novos investimentos
Com os bons resultados, o Ministério de Portos e Aeroportos anunciou o segundo bloco de leilões portuários de 2025, previsto para julho, com R$ 1,03 bilhão em investimentos. Um dos destaques é o terminal POA26, localizado no Porto Organizado de Porto Alegre (RS).
Segundo a Antaq, esse terminal será decisivo para aumentar a competitividade logística da região metropolitana da capital gaúcha. “Trata-se de uma área estratégica, com potencial para movimentar cargas gerais, além de estimular a modernização e a geração de empregos diretos e indiretos no setor”, informa nota da agência.
A autarquia também apontou que a Região Sul vive um momento de “alinhamento virtuoso” entre produção agrícola, infraestrutura portuária eficiente e conectividade terrestre, destacando a importância de manter investimentos em dragagem, tecnologia e integração modal.
Avanço aéreo acompanha crescimento
Nos céus, os números também são positivos. Os principais aeroportos da Região Sul — como Salgado Filho (Porto Alegre), Hercílio Luz (Florianópolis), Afonso Pena (Curitiba) e Foz do Iguaçu — registraram crescimento médio de 6,2% na movimentação de passageiros e cargas nos primeiros meses de 2025.
Somente o Salgado Filho, que retomou voos internacionais neste semestre, movimentou quase 2 milhões de passageiros entre janeiro e abril, voltando ao ranking dos dez maiores terminais do Brasil. Florianópolis também se destacou com alta de 26%, impulsionada pelo turismo e novos voos de carga.
De acordo com a Anac, o desempenho é resultado de uma retomada econômica que favorece o transporte aéreo. “A combinação entre crescimento do PIB, melhora no poder de compra da população e expansão do e-commerce faz da logística aérea um vetor importante para o desenvolvimento regional”, afirmou a agência em nota.
O transporte de cargas também segue em ascensão. Em 2024, o país movimentou 1,38 bilhão de toneladas, sendo 488 mil toneladas no transporte doméstico, com crescimento de 9,7%. Em janeiro de 2025, o volume subiu mais 5,9%, segundo dados do setor.
Desafios e integração logística
Apesar do desempenho histórico, especialistas alertam para gargalos que ainda precisam ser superados: melhorias em conectividade ferroviária, ampliação da capacidade aduaneira, mais áreas de armazenagem especializada, e aceleração na transição energética nos modais de transporte.
Entre os investimentos prioritários nos portos da Região Sul, a FIESC destaca o aprofundamento do canal externo do Complexo Portuário da Baía da Babitonga, em Santa Catarina, com investimento previsto de R$ 324 milhões, a recuperação estrutural e ampliação dos molhes de abrigo do Porto de Imbituba, com aporte estimado em R$ 280 milhões, e a 2ª Etapa da Bacia de Evolução e Canal de Acesso do Complexo Portuário do Rio Itajaí, orçada em cerca de R$ 350 milhões.


