Após um período de deterioração preocupante na segurança viária brasileira, os dados fechados de 2025 trazem um respiro cauteloso. Segundo o novo levantamento do Painel de Informações Logísticas e de Transporte (PILT/FDC), o Brasil interrompeu a tendência de alta no número de mortes e feridos graves em rodovias federais, embora os índices ainda permaneçam em patamares elevados.
O estudo, que cruza dados de tráfego do DNIT com ocorrências da Polícia Rodoviária Federal (PRF), analisou trechos com fluxo superior a mil veículos por dia entre 2018 e 2025. O relatório destaca que, após o “pico crítico” registrado em 2024, o último ano apresentou uma correção positiva nos principais indicadores de severidade.
A série histórica revela um cenário de contrastes. Entre 2018 e 2022, o país vivenciou uma redução progressiva nos acidentes, atingindo o menor nível em 2020 (48.416 ocorrências). Entretanto, essa trajetória foi revertida abruptamente a partir de 2023.
O ano de 2024 consolidou-se como o mais violento da série, registrando recordes negativos em todas as frentes:
Acidentes: 56.116 ocorrências.
Vítimas fatais: 4.995 mortes.
Feridos graves: 15.916 pessoas.
Em 2025, os números recuaram para 53.435 acidentes e 4.799 óbitos. Apesar da melhora, os especialistas alertam que o volume ainda supera a média dos anos anteriores à inversão da tendência, indicando que a malha federal ainda enfrenta desafios substanciais de segurança.
Para medir a real periculosidade dos trechos, o estudo utiliza dois indicadores técnicos: a Taxa de Acidentes (TAc), que neutraliza o impacto do volume de tráfego, e a Taxa de Severidade (TSAc), que atribui pesos maiores para acidentes graves (uma morte, por exemplo, equivale a 13 pontos na escala de severidade).
Em 2025, ambos os indicadores apresentaram uma queda de aproximadamente 12% em relação ao ano anterior. A TAc fechou em 2,016, enquanto a TSAc caiu de 9,882 (em 2024) para 8,690. Ambos representam os segundos menores valores de toda a série histórica, perdendo apenas para o ano de 2022.
BR-116 é a rodovia mais perigosa
O ranking das rodovias federais também sofreu alterações importantes no último ano. Historicamente, a BR-101 lidera em números absolutos de acidentes devido ao seu alto fluxo. No entanto, quando o critério é a gravidade e as taxas técnicas (TAc e TSAc), o cenário muda.
Em 2025, a BR-116 ultrapassou a BR-101, tornando-se a rodovia mais perigosa do Brasil. Ela agora lidera o ranking de severidade, concentrando o maior impacto proporcional de feridos graves e vítimas fatais em relação ao seu volume de tráfego.
| Posição 2025 | Rodovia | Critério de Liderança |
| 1º Lugar | BR-116 | Maior Taxa de Severidade (TSAc) e Letalidade |
| 2º Lugar | BR-101 | Maior Número Absoluto de Acidentes |


