O vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza, afirmou que a possível renovação da concessão da Malha Sul para a Rumo Logística seria um “desastre” para o estado. Ele argumenta que a empresa não demonstra interesse em realizar os investimentos necessários, além de ter sido indiferente às reivindicações do RS.
Ele anunciou que os governos de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul adotaram uma posição conjunta para tentar impedir a renovação do contrato, que expira em fevereiro de 2027, o que ainda deve ser decidido pelo Ministério dos Transportes.
Para os estados, a solução ideal seria a divisão da malha em três concessões diferentes. No Rio Grande do Sul, o trecho de Cruz Alta a Passo Fundo seria o mais complicado, dado que a região foi severamente afetada pelas inundações de 2024. A malha ferroviária gaúcha, que antes das enchentes contava com 1.680 km operados, foi reduzida para 921 km e a Rumo negocia com o governo federal uma nova redução para 860 km.
Em reunião recente em Curitiba, os estados-membros do Conselho de Desenvolvimento e Integração do Sul (Codesul) discutiram o tema e defenderam a importância do modal ferroviário para o escoamento da produção. O secretário-adjunto de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, Clóvis Magalhães, que participou do encontro destacou que a união dos estados é fundamental para garantir avanços e que o governo do Estado já apresentou estudos técnicos que não foram considerados pela Rumo. Ele afirmou que a empresa trata a concessão como um negócio privado, e não como um serviço público, o que causa grande preocupação.
Os governos do Sul agora aguardam o resultado do grupo de trabalho formado pelo governo federal e buscarão agendas em Brasília com a Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), o Ministério dos Transportes e o Tribunal de Contas da União (TCU). O objetivo é reforçar a importância do fortalecimento do modal ferroviário e discutir a prorrogação da concessão da Malha Sul.
Além disso, os secretários deliberaram sobre a elaboração de um termo de referência para contratar um estudo sobre a viabilidade de um traçado ferroviário comum entre os quatro estados, aproveitando linhas já existentes e avaliando a necessidade de novos ramais.
Estudos, realizados por órgãos governamentais, universidades, consultorias e associações demonstram uma redução de custos de frete por tonelada em comparação com o transporte rodoviário, especialmente para longas distâncias e grandes volumes de carga, como grãos e fertilizantes.
Comparativos mostram que uma única composição ferroviária pode transportar o equivalente a centenas de caminhões, o que alivia o tráfego nas rodovias e aumenta a eficiência logística.
Análises também indicam que as deficiências na infraestrutura de transporte, incluindo a falta de ferrovias, impactam negativamente a competitividade das exportações brasileiras no mercado global. A melhoria da malha ferroviária é vista como essencial para reduzir o chamado “Custo Brasil” em comparação com o transporte rodoviário, o que se alinha aos padrões ambientais internacionais.
O PELT-RS
O Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-RS) em sua versão inicial, de 2018, propôs um investimento de R$ 8,2 bilhões para o modal ferroviário até 2039. O plano identificou a necessidade de 15 obras específicas para o setor, que incluem: Construção de 929 km de novas linhas férreas. Restauração de 1.950 km de trechos existentes. Construção de seis novos terminais ferroviários.
O plano também apresentou um diagnóstico da malha ferroviária gaúcha. Em 2018, o estudo mostrou que, dos 3.259 km de linhas existentes no RS, cerca de 60% (1.952 km) estavam sendo plenamente utilizados. Os principais produtos transportados incluem commodities agrícolas, combustíveis, fertilizantes e produtos industriais.
Uma nova versão do PELT-RS está sendo elaborada em parceria com a Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes. Esta atualização busca alinhar o planejamento logístico do estado às novas demandas e aos impactos de eventos climáticos extremos, como as enchentes recente


