Como a Autodesk destravou o maior projeto ferroviário do país

Sylvio Mode: " A incorporação de IA generativa e aprendizado de máquina no portfólio da empresa tem papel decisivo no avanço de projetos de engenharia linear".

Durante décadas, o planejamento de megaprojetos de infraestrutura no Brasil esbarrou em gargalos analíticos que atrasavam obras antes da primeira escavação. Na elaboração do projeto da Nova Ferroeste — corredor de 1.304 km ligando o Mato Grosso do Sul e o Paraná ao Porto de Paranaguá —, o fluxo de trabalho convencional exigia a análise manual e desconectada de mapas topográficos, licenças ambientais e planilhas de custos.

Cada ajuste no traçado para evitar acidentes geográficos ou áreas protegidas demandava meses de recálculos de terraplenagem e obras de arte, elevando a margem de erro nos orçamentos e prazos de licenciamento.

Esse travamento foi superado com a aplicação de soluções digitais durante a execução dos Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), iniciados em fevereiro de 2020 e concluídos no final de 2021.

Ao adotar a tecnologia BIM  e plataformas em nuvem, o projeto da TPF Engenharia unificou todas as disciplinas em um modelo 3D georreferenciado. A integração permitiu simular e otimizar rotas em tempo real, reduzindo movimentações de terra e desviando de áreas sensíveis com precisão milimétrica.

A automação na estimativa de insumos eliminou inconsistências técnicas e financeiras, transformando um planejamento lento e fragmentado em um processo ágil, preciso e previsível para a atração de investimentos.

O fato narrado acima faz parte de uma série de cases emblemáticos que demonstram a eficácia da abordagem orientada a dados da Autodesk do Brasil no âmbito da transformação digital.

Papel decisivo

De acordo com Sylvio Mode, presidente  da Autodesk no Brasil , a  incorporação de IA generativa e aprendizado de máquina no portfólio da empresa tem papel decisivo no avanço de projetos de engenharia linear, como rodovias e ferrovias. Em soluções consolidadas como o Civil 3D, recursos de machine learning auxiliam no processamento contínuo de dados de campo, informações geoespaciais e volumetrias, reduzindo a carga de tarefas manuais e elevando o grau de consistência dos dados.

“A combinação de modelos digitais e inteligência artificial amplia a capacidade preditiva das equipes. Antes de qualquer maquinário entrar na pista, engenheiros conseguem simular cenários de execução, identificar interferências geológicas ou estruturais e testar alternativas de traçado. Essa antecipação evita gargalos logísticos e desvios de custo, reduzindo significativamente os riscos de atraso na fase executiva”, ensina Mode.

Para Mode, o  principal elemento diferenciador da Autodesk frente ao mercado reside na capacidade de cobrir todo o ciclo de vida do ambiente construído. Em vez de entregar ferramentas pontuais ou isoladas, o ecossistema de soluções da empresa acompanha o cliente da concepção inicial e planejamento à fase de obra e gestão de operação do ativo.

Essa integração vertical e horizontal responde às pressões estruturais enfrentadas pelas empresas de engenharia e concessionárias no Brasil e no mundo: a necessidade de aumentar a produtividade, superar a escassez de profissionais qualificados, cumprir metas rigorosas de sustentabilidade e otimizar custos operacionais. A estratégia da marca concentra-se em migrar o mercado de softwares individuais para plataformas orientadas por dados em nuvem.

Fundada em 1982, com sede em São Francisco,  EUA, no Brasil, desde 1994, a empresa atua em três segmentos principais: Arquitetura, Engenharia, Construção e Operações (AECO); Design & Manufacturing; e Mídia & Entretenimento. Desses, o setor mais consolidado é o de desenho técnico e engenharia. Em contrapartida, o nicho de maior ritmo de crescimento é a integração entre modelagem, execução de obras, análise de dados e automação — alavancado pelo ecossistema do setor e pela migração maciça da infraestrutura para a metodologia BIM.

 

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