O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul) manifestou forte oposição nesta quarta-feira ao modelo de concessão proposto pelo governo federal para a Malha Sul ferroviária, elevando a tensão sobre o futuro da infraestrutura logística da região.
Durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), representantes de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul alertaram que o plano federal ameaça a competitividade econômica regional.
O contrato atual de operação ferroviária expira em fevereiro de 2027. A nova modelagem da ANTT prevê a divisão da malha em três corredores independentes. O Codesul argumenta que essa fragmentação comprometerá a sustentabilidade financeira das linhas e interromperá a integração logística interestadual no coração agrícola e industrial do Sul do país.
Autoridades estaduais também criticaram o governo federal pela falta de transparência. Clóvis Magalhães, secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, apresentou uma manifestação conjunta em nome dos quatro estados, afirmando que o modelo foi desenhado sem a participação efetiva dos governos locais e sem acesso adequado aos estudos técnicos e econômicos subjacentes.
“O modelo apresentado não atende ao interesse público, não respeita plenamente o pacto federativo e não representa a melhor alternativa para o desenvolvimento logístico do Sul do Brasil”, declarou Magalhães durante o evento.
Como a próxima concessão definirá os termos operacionais pelos próximos 30 anos, o Codesul exige uma revisão completa do processo. O conselho defende uma ampliação do diálogo federativo, maior participação técnica e uma abordagem de rede unificada para salvaguardar o crescimento econômico de longo prazo da região.
Durante a audiência, Magalhães também defendeu que a ANTT amplie o debate antes da definição do novo modelo. “Não se decide 30 anos em três meses. Não se decide 30 anos em três dias”, afirmou.
Os estados argumentam que a atual modelagem desconsidera mercados estratégicos de elevada produção agrícola e industrial, especialmente no interior do Rio Grande do Sul, reduzindo o potencial de geração de cargas e comprometendo a sustentabilidade econômica da ferrovia.


