Com a realização da etapa de Porto Alegre da Audiência Pública nº 011/2026 da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), sediada na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), o debate sobre o destino da infraestrutura ferroviária da Região Sul atinge um ponto decisivo. O Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (CODESUL) reforça sua presença ativa e posição firme: os quatro estados integrantes — Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul — são contrários à proposta de renovação da concessão da Malha Sul nos moldes apresentados pelo Governo Federal.
A reunião na FIERGS faz parte do calendário oficial de sessões presenciais organizado pela ANTT, que teve início em Curitiba e seguirá para Florianópolis na sede da FIESC, com prazo para envio de contribuições da sociedade aberto até o dia 10 de agosto.
Um histórico de gargalos e a busca por modernização
O ponto central da divergência reside nos impactos do modelo vigente nas últimas décadas. Segundo a avaliação técnica e política do CODESUL, a concessão atual resultou no abandono de diversos trechos estratégicos e em subinvestimento contínuo, comprometendo a competitividade do setor produtivo e o escoamento de safras e bens industriais na região.
Conforme aponta Beto Martins, coordenador do Grupo de Trabalho Ferrovias do CODESUL, o objetivo da mobilização unificada é interromper a prorrogação nos termos vigentes para forçar a construção de um projeto focado na recuperação e expansão real da malha. No mesmo sentido, o representante do Rio Grande do Sul no GT Ferrovias, Clóvis Magalhães, destaca que o bloco econômico sulista necessita de uma malha integrada e moderna, proporcional à relevância econômica dos estados envolvidos.
Alternativa técnica em construção
Para ir além da oposição institucional e apresentar soluções concretas, o CODESUL, em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), contratou um estudo técnico especializado. O objetivo do levantamento é fundamentar a proposta da Malha Sul Ampliada, priorizando:
- Aporte efetivo de investimentos na modernização dos trechos existentes;
- Eficiência logística no transporte de cargas pesadas e de longa distância;
- Integração regional efetiva entre o Sul e o Mato Grosso do Sul;
- Recuperação de trechos sucateados ou desativados ao longo dos c


